sábado, 22 de fevereiro de 2020

Bomba: Golpista Jungmann revela que Thompson Flores pediu para que Lula não fosse solto após ordem judicial


Por Brasil 247

Uma revelação bombástica. Raul Jungmann confessou, em entrevista à TV Democracia do jornalista Fábio Pannunzio, ter recebido um pedido ilegal do então presidente do TRF-4, Thompson Flores, para o descumprimento da ordem judicial para soltar Lula em 8 de julho de 2018. A ordem partira do desembargador plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região, Rogério Favreto, que determinou a imediata libertação do ex-presidente Lula, que estava preso em Curitiba desde abril daquele ano. Na ocasião, Jungmann era o ministro Extraordinário da Segurança Pública do golpe, nomeado por Temer.

Depois da entrevista, Raul Jungmann arrependeu-se e enviou nota à TV Democracia negando ter dito o que disse. 

Na entrevista, Jungmann afirmou que o ex-presidente do Thompson Flores atendeu uma ligação sua, que buscava saber o que fazer na situação descrita como “prende-e-solta” de Lula. Segundo o ex-ministro, teria sido então que lhe foi pedido que fizesse contato com o então chefe da Polícia Federal do Paraná e atual diretor geral do órgão, Maurício Valeixo, para que ele, nas palavras do ex-ministro “não mexa nessa questão”, enquanto Flores se dirigiria a seu escritório e tomaria nova decisão – até então, havia ordem judicial para soltura do ex-presidente Lula.

“Eu retruquei para ele. Disse: ‘Doutor Thompson Flores, me permita, eu não posso fazer isso. Eu sou o ministro da Segurança Pública, mas eu não posso fazer isso. O senhor, na pressa, talvez tenha se esquecido, é normal. Mas, de fato, isso está totalmente sob o controle do judiciário e qualquer ação minha pode ser imputado a mim obstrução à Justiça.’ Ele entendeu, claramente e rapidamente. E entrou em contato com [Maurício] Valeixo [ex-superintendente da PF no Paraná]”, declarou o ex-ministro.

Bolsonaro diz que “todo cearense tem cabeça grande” pela 2ª vez em 2020

Imagem do facebook de Bolsonaro

Por
 Resultado de imagem para congressop em foco logomarca

Bolsonaro esteve neste sábado (22) em um supermercado no Guarujá, cidade do litoral paulista onde passa o feriado do carnaval. No local ele encontrou um apoiador com um chapéu de cangaceiro e perguntou "por que todo cearense tem a cabeça grande".

O simpatizante de Bolsonaro declarou que é do Rio Grande e comentou algo no ouvido do presidente. O fato foi registrado na página no Facebook do presidente, mas o conteúdo da fala do apoiador não foi transmitido no vídeo.

Número de assassinatos em motim da PM chega a quase 90 no Ceará


Por Resultado de imagem para 247 logomarca
O Ceará registrou 88 assassinatos entre a meia noite de quarta-feira (19) e as 23h59 de sexta-feira (21), com a paralisação de policiais no estado, que teve início na terça-feira (18). Neste quinto dia de movimento, batalhões em Fortaleza, na região metropolitana e no interior continuam fechados e com PMs amotinados.

Desde terça-feira (18), homens encapuzados que se identificam como agentes de segurança do Ceará invadiram quarteis, depredaram e esvaziaram pneus de viaturas policiais. 

Policiais reivindicam uma reestruturação salarial da categoria. De acordo com a proposta do governo enviada à Assembleia Legislativa, o salário-base de um soldado será de R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022. O salário atual da categoria é de R$ 3,2 mil. A proposta inicial, rejeitada pelos policiais, era aumento para R$ 4,2 mil até 2022.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Na presença de Bolsonaro, Flamengo Antifascista ergue bandeira com rosto de Marielle


Por 

Em protesto contra a presença do presidente Jair Bolsonaro e ministros no jogo deste domingo (16) contra o Athletico-PR, o coletivo Flamengo Antifascista ergueu uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada pela milícia em 2018. A imagem da vereadora é acompanhada da frase “quantos mais vão precisar morrer para que essa terra aos pobres acorde?”.




Bolsonaro é expulso aos gritos de “Fora Bolsonaro” de jogo Flamengo x Athletico-PR - veja o vídeo


Por 

O presidente Jair Bolsonaro foi expulso do jogo entre Flamengo e Atlhetico-PR, partida da Supercopa do Brasil no Mané Garrincha, em Brasília, neste domingo (16). Aos gritos de “Fora Bolsonaro!”, o presidente precisou ser escoltado por seguranças para fora do estádio. O ex-capitão estava acompanhado dos ministros Sergio Moro, Augusto Heleno, Damares Alves e Tarcísio de Freitas.

Na torcida do Flamengo, foi erguida uma faixa com o rosto da vereadora assassinada do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e os dizeres “Flamengo Antifascista”, em protesto contra a presença do presidente no estádio.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Auxílio-moradia de parlamentares é 29 vezes a renda de 13 milhões de brasileiros



Observatório do 3° Setor

Enquanto só de auxílio-moradia um parlamentar recebe R$ 4.253, um brasileiro em situação de extrema pobreza sobrevive com até R$ 145 por mês; Brasil tem segunda maior concentração de renda do mundo

Em 2018, 13,5 milhões de brasileiros viviam em situação de extrema pobreza, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019, divulgada pelo IBGE. Essas pessoas tinham renda mensal per capita inferior a R$ 145, ou U$S 1,90 por dia.

Os dados mostraram também que um em cada quatro brasileiros vive na pobreza. São 52,5 milhões de pessoas nessa situação.

Muito diferente da realidade enfrentada pela maioria da população brasileira é a vivida pelos parlamentares.

Com um salário de R$ 33.763, eles ainda têm direito a benefícios como a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), que varia entre R$ 30.788,66 e R$ 45.612,53.

Outro benefício é o auxílio-moradia, no valor mensal de R$ 4.253, concedido aos parlamentares que não moram em residências funcionais em Brasília.

Somente o valor do auxílio-moradia pago a um parlamentar é 29 vezes a renda de um brasileiro em situação de extrema pobreza. Esse tipo de contraste faz com que o Brasil seja um dos países com maior desigualdade do mundo. Atualmente, o Brasil amarga a 7ª colocação. Quando se fala especificamente em concentração de renda, o Brasil é o 2º pior país do mundo, já que o 1% mais rico da população concentra 28,3% da renda total do país.

Um levantamento recente também revelou que 17 pessoas morrem todos os dias no Brasil por desnutrição.

sábado, 16 de novembro de 2019

15 de novembro de 1889: 1º Golpe Militar no Brasil

O quadro 'Proclamação da República', de Benedito Calixto
Todo dia 15 de novembro temos o feriado nacional da “Proclamação da República”, data que ocorreu o 1º golpe militar no Brasil. Desde a sua origem, a elite brasileira sempre procurou controlar o essencial do poder regional e viver em situação subordinada com as elites estrangeiras, desconsiderando as necessidades essenciais da população pobre.

No período da monarquia, eclodiram movimentos liberais, federalistas e separatistas (Balaiada; Cabanagem; Revolta Farroupilha, etc.). Esses movimentos foram traídos no seu nascedouro pelas elites regionais, temendo a adesão dos pobres e dos trabalhadores escravizados. As elites regionais sempre preferiram a subordinação imperial a pôr em perigo a ordem escravista, que foi um dos pilares da unidade territorial brasileira.

Em 1880, o movimento abolicionista exigia o fim imediato da escravidão, sem indenização. A luta pela abolição transformou-se no primeiro grande movimento democrático nacional, com organização de fugas de escravos, onde homens livres e trabalhadores escravizados uniam suas forças. A reforma eleitoral; a universalização do ensino; a democratização da propriedade da terra eram propostas discutidas pelos abolicionistas.

A partir de 1887, aumentaram as fugas organizadas para as cidades. Logo, o movimento assumiu um caráter massivo. Com as fazendas desertadas, vendo o fim inevitável da escravidão, os cafeicultores paulistas aderiram à defesa da imigração. Os fluminenses, proprietários de terras esgotadas e de muitos escravos, reivindicavam a abolição com indenização. A abolição da escravatura saiu vitoriosa e obrigou a elite a reconhecer sua derrota, com a Lei Áurea.

Sem o apoio dos fazendeiros e ex-donos dos escravos, a monarquia tentou apoiar-se na nova classe que surgia. Sobretudo na população negra levada a ver a princesa Isabel como a "redentora" e esperavam que no 3º Reinado da Monarquia fossem garantidas melhores condições de existência. Para sobreviver, a família imperial dos Bragança tentou se colocar como os principais defensores do povo que haviam massacrado por mais de três séculos.

Para isso é que na última “Fala do Trono”, dom Pedro II propôs a aprovação de lei que regulamentasse a propriedade territorial e facilitasse a aquisição e cultura das terras devolutas, concedendo ao Governo o direito de expropriar, no interesse público, as terras próximas às ferrovias, desde que não fossem cultivadas pelos donos (as famosas terras improdutivas ou que não cumprem função social e que existem até os nossos dias).

Assim, em junho de 1889, o representante da Monarquia na assembleia geral, o Visconde de Ouro Preto, apresentou projeto que procurava adaptá-la à nova situação, defendeu também o voto secreto, ampliação do colégio eleitoral, liberdade de culto e ensino; autonomia provincial; etc. Estas propostas de democratização do acesso da terra e a vitória esmagadora dos liberais nas eleições parlamentares da Monarquia aceleraram o golpe.

Assim, em 15 de novembro de 1889, alguns soldados comandados pelo marechal Deodoro da Fonseca tomaram o Ministério da Guerra e depuseram o ministro e o presidente, o visconde de Ouro Preto. Logo em seguida, o novo republicano marechal Deodoro da Fonseca tomou algumas medidas, entre as quais: abandonar o projeto de assentamento e profissionalização dos escravos libertos; instituir a censura à imprensa; reajustar seu salário e dobrar o dos ministros; conceder direito de expropriação para empresas estrangeiras realizarem empreendimentos em território nacional.

Todas as elites provincianas apoiaram o novo regime, a maioria eram líderes dos partidos monárquicos, agora defensores fervorosos da República. Assim, a República foi estabelecida praticamente sem lutas, salvo no Estado do Maranhão, onde os antigos escravos tentaram reagir ao golpe e foram violentamente dispersos, causando o saldo de três mortos e vários feridos. Os três negros de que a História oficial não guardou os nomes foram os primeiros mortos contra o golpe da Proclamação da República no Brasil.

A primeira Constituição republicana foi essencialmente conservadora e elitista, nada de democrático e popular. Quando populações nacionais levantaram-se, confusamente, contra uma ordem que compreendiam ser-lhes absolutamente injusta, como Canudos, Contestado ou na Revolta da Chibata, foram acusadas de atrasados, loucos, etc. e duramente massacradas. A República era coisa das elites e se mantém até hoje, 130 anos depois.

Hinamar A. Medeiros, Recife

* Grifos nossos.